sábado, 5 de agosto de 2017

"Xennial"


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Para os companheiros de estrada

Não sossegam os (novos) epítetos/rótulos para as (diferentes) gerações. Mesmo para as microgerações, como aquela em que me incluo (entre os 34-40 anos). Leio na Visão que o sociólogo australiano Dan Woodman cunhou o termo Xennial para aqueles que nasceram entre 1977 e 1983, como a geração que faz a transição entre o antes e o depois da internet, o último espécime pré-web ("um espécime que não conheceu a globalização, a comunicação mediada pela tecnologia e em tempo real, a internet das coisas, a automação e a inteligência artificial. E, mais interessante ainda, que parece estar bem na sua pele ao ponto de poder ser invejado por quem veio antes e depois"). 
Rio-me com o artigo, sobretudo, na parte em que evoca, e me dou na conta de, experiências que os nossos manos mais novos, os millenials - como é cool dizer-se - já não farão ideia do que seja (embora tão próximos no tempo destas jigajogas): "sou do tempo em que o telefone de casa tocava e os amigos pediam aos meus pais para falar comigo e eu tinha de fazer o mesmo" e "combinava encontros com dias de antecedência sem ter forma de os confirmar, a não ser no dia, quando chegava ao local...", além de que "ia à caravana dos TLP, nas férias, com um credifone para telefonar". 
O Xennial é aquele que está entre os Xers, "inclinados a pessimismos e nostalgias do tempo em que não existia a internet nem o smartphone e a vida parecia mais fácil e os Millennials que só conhecem o registo tecnológico e não concebem a vida sem wifi". Em Portugal, os Xennial representam 9,6% da população residente. "Talvez não seja tão mau como parece, muito pelo contrário: eles podem orgulhar-se de ficar para a História como os últimos exemplares de uma espécie condenada à extinção: o Homo Pré-Web".
No teste para saber se se trata de um verdadeiro xennial temos perguntas como "conhece o significado da expressão '500 paus'?", "tem guardado lá em casa o walkman ou o leitor de CD's?", "reconhece pelo menos um destes nomes: Heróis do Mar e Super Mário?", "Quando ouve falar de Marés Vivas não lhe lembra só o Instituto do Mar e da Atmosfera?". Síiii.
Claro: entre os xennial, há os de tendência nostálgica (mais próximos dos Xers) e os que funcionam em modo Millenials.
E, mais do que isso, é evidente que os grandes agregados dão um retrato médio, que nunca o pulsar idiossincrático, a específica situação de cada um. Mas entre o divertido e uma boa ocasião para regressar à infância (adolescência), o retrato desta microgeração, pela pena de Clara Soares, é sempre bastante fofinho
"Lembrem-se de que nem todos podem gabar-se de serem exemplares únicos, ou de fazerem parte de uma edição especial que beneficiou do melhor dos dois lados: livraram-se dos chamados 'pais helicóptero', que têm de saber a toda a hora onde estão os seus rebentos e se excedem em medidas de segurança; conseguiram sair à noite sem ser 'encontráveis' através de pegadas digitais; podem gabar-se de ter usado papel e lápis, máquina de escrever, cassetes e vinis; e cresceram sem tantos estímulos nem tanta dispersão da atenção e a relacionar-se cara a cara, equilibrando o individualismo e o funcionar em equipa".

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