sexta-feira, 14 de julho de 2017

Tolice


Se no romance A possibilidade de uma ilha (D.Quixote, 2006), Michel Houellebecq colocava o narrador a afirmar que "hoje em dia, nestes países [Europa], já ninguém acreditava em Deus, não se debruçava minimamente sobre o assunto, nem se recordava de ter acreditado; e passara-se tudo sem dificuldade, sem conflitos, sem violências nem protestos de qualquer ordem, sem sequer uma verdadeira discussão"(p.289), Manuel Fraijó, em Avatares de la creencia en Dios (Trotta, 2016), em forma de ensaio (recolha e compilação de um conjunto de escritos, entrevistas, auto-biografia intelectual e publicações científicas dispersas do catedrático de Filosofia da Religião), referindo-se, é certo, ao caso espanhol, não deixa, igualmente, de registar: "Poderá afirmar-se que, no nosso país, enquanto se acreditou [em Deus], (...) [acreditou-se] sem [recurso à] filosofia nem teologia e, quando se deixou de acreditar, fez-se isso, de novo, sem [recurso à] filosofia nem teologia. O resultado, lamentável resultado, é que nem quando acreditávamos sabíamos em que críamos, nem quando deixámos de acreditar sabemos que fé ou que crenças abandonámos" (p.20)

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