domingo, 16 de julho de 2017

Serviço cívico obrigatório


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Segundo o Expresso (15/07/2017), deputados do PS e do CDS estão de acordo - e com possibilidades de o tornar extensível a demais bancadas parlamentares - no que concerne à criação de um serviço cívico obrigatório, que implique presença de todos os cidadãos (em formação), entre 6 meses a 1 ano - em instituições ligadas à acção social, bombeiros ou forças armadas. Se esta presença se coloca em termos alternativos - o serviço é obrigatório, mas o tipo de instituição, social, bombeiros ou forças armadas, à escolha do cidadão -, parece-me uma ideia com potencialidades positivas, num tempo diagnosticado, a meu ver bem, como muito deslaçado e no qual a ideia de "liberdade dos modernos" (não interferência; ou, mesmo, liberdade = ausência de vínculos; nenhuma responsabilidade que não aquela que eu contratualizar) aparece extremada. A possível compatibilização com estudo ou escola também poderia ser equacionada. Ou, em uma outra variante, talvez aquela que eu preferiria, a inserção nos currículos escolares (bem sei que sobrecarregados, mas ainda assim) de hora semanal (ou conjunto de tempos lectivos semanais) dedicado(s) à prestação de auxílio/cuidados/tarefas em instituições de cariz social (ou outros), como lares, ou centros de reabilitação, etc., na esteira de experiências muito bem sucedidas em outras zonas do globo (das quais já neste blog dei conta, a propósito do descrito, p.ex., por Jeremy Rifkin em A terceira revolução industrial).
Do modo como abordo o serviço cívico obrigatório não o vinculo, como se vê, a qualquer solução relativa à (falta de) atractividade de que as forças armadas carecerão (pelo que se vai lendo hoje). E faço este ponto, porque a notícia parece misturar tais dimensões, e porque o regresso do serviço militar obrigatório tem sido um tópico muito presente na actualidade informativa/opinativa. Nem, por outro lado, se pretenda chamar serviço cívico obrigatório a algo que se queira serviço militar obrigatório. É bom que, na nossa política, não se insista na habitual cosmética das nomenclaturas (os nomes dos partidos já seria suficiente artificialismo face à sua substância), nem se faça entrar pela janela aquilo que não se anuncia pela porta; que se pensem, devidamente, objectivos e finalidades para eventual medida (política) a implementar, objectivos e finalidades que não podem ser exatamente os mesmos nos dois casos assinalados.

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