domingo, 9 de julho de 2017

Problemas sociais e (n)a escola

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Desde os finais dos anos 80 e até ao presente, em sucessão cronológica, os principais problemas sociais que se têm colocado à escola:

a) consumo de drogas
b) Sida
c) bullying
d) obesidade

E agora mesmo? Um deles é a desesperança dos jovens relativamente ao seu futuro. (ainda que, "com ou sem razão, as pessoas estão a ficar animadas com o suposto fim da crise").

E outros problemas? também vejo a família, que vai começar a ter alguns desequilíbrios (...) vamos ter em breve casais em que as mulheres são doutoradas e os homens trabalham na construção civil. Isso não tem nada de mal em si, a questão é o choque cultural que acontece nas nossas casas, do ponto de vista dos interesses pela sociedade. (...) [Os rapazes] Não apostam, primeiro porque há essa desesperança, e depois porque eles acham que, se aprenderem a arranjar um cano, ou a arranjar computadores, encontram um emprego já e a ganhar mais, e isso é verdade. Mas cria um desequilíbrio entre os casais naquilo que diz respeito à intimidade conceptual e filosófica, sobre as questões da vida.  (...) Sim, vejo sinais disso na estatística, porque os dados mostram-nos que, até ao 9.º ano, há tantos homens como mulheres e depois os homens desaparecem e não voltam a aparecer.


Porque deixaram os miúdos de gostar da escola? Em 2014, baixou o gosto pela escola em geral, incluindo pelos recreios. (...) Houve um grande desinvestimento nas áreas curriculares não disciplinares, em que os miúdos podiam construíam projectos de escola com os professores. Saiu da escola toda essa componente relacional e de cidadania e a escola passou a centrar-se unicamente nas aprendizagens, com aquele foco imenso na Matemática e no Português. Nós não queremos crânios a Matemática e a Português para depois irem tomar medicação psicotrópica. Eu não posso dizer isso assim, mas aconteceu tudo ao mesmo tempo: uma mudança do clima da escola, das políticas educativas e das expectativas sobre o futuro que, aparentemente, tiraram o gosto por tudo o que tenha a ver com a escola. Neste momento, há todo um ambiente economicista que não favorece envolvimento dos professores. Além disso, as políticas públicas têm que ter uma continuidade. A descontinuidade é trágica. 


A entrevista da psicóloga e Professora Catedrática da Faculdade de Motricidade Humana, Margarida Gaspar de Matos, fundadora da Aventura Social, vem hoje no Público (pp.8 e 9) e pode ser lida na íntegra aqui.

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