domingo, 16 de julho de 2017

O budismo e a pobreza


Manuel Fraijó remete para a distinção, feita por Max Weber, entre dois tipos ideais de religiões: proféticas (judaísmo, cristianismo e islão) e místicas (hinduísmo e budismo). A que acrescenta um terceiro tiposapienciais (confucianismo e taoísmo). Já Urs Von Balthasar distingue entre três espécies de espiritualidades: a transcendental, que consiste em sair de si mesmo para o Absoluto; a activista, centrada no compromisso com o mundo; e a passiva, que seria a indiferença face ao mundo. Quando se fala, pois, em religiões proféticas, "alude-se a espiritualidades activas, empreendedoras, transformadoras, que se centram no trabalho e na acção. Nelas, a figura central é a do profeta. Contam também com uma rica herança dogmática, assertiva; têm muito que defender. De aí que o diálogo com elas seja laborioso. (...) Nenhuma das religiões proféticas é muda. (...)
[Nas religiões místicas] cultiva-se a interioridade, a indiferença (no bom sentido) frente ao mundo. Não ignoro que há quem acuse o budismo da pobreza na Índia. Justamente, porque lhe falta o que têm as religiões proféticas: o espírito transformador, activo. De todas as formas, não devemos esquecer que no Japão há budismo e não há pobreza. Contudo, é possível que a passividade das religiões místicas tenha algo que ver com a pobreza das suas gentes"(p.70)

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