domingo, 16 de julho de 2017

Homo religiosus


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O sentido religioso é, pois, característico do ser humano. Só ele se sente sobressaltado, para referir de novo Kant, pelo céu estrelado, o qual cobiça, e pela lei moral que percebe dentro de si. Só ele invoca e dá graças a um Ser superior, ao que primeiro denominou «Mistério» e mais tarde «Deus». Deus chegou bastante tarde à história das religiões. Pelo contrário, o sentido religioso parece ter despertado cedo. Os historiadores das religiões estão de acordo em que "até o mísero homem do Neandertal" (E.O.James) contava, já, com uma crença genuinamente religiosa: uma vida para além da tumba. Isso sim: imaginava-a como queria o nosso Unamuno: o mais parecida possível à vida terrena. De aí que equipasse os seus defuntos com o alimento, as ferramentas e equipamentos que aqui haviam necessitado. É muito improvável, sustenta James, que o homem do Neandertal tomasse o trabalho de enterrar tão cuidadosamente os seus mortos, se não tivesse acreditado em alguma forma de vida [no além] por indefinida que fosse. E o filósofo da religião J. Hick defende, como J.G. Frazer, que todas as tribos primitivas acreditaram em algum género de sobrevivência [à morte]. Também M.Eliade pensa que «a fé numa vida além morte parece estar demonstrada desde os tempos mais remotos, pelo uso do ocre vermelho, substitutivo ritual do sangue e, por isso mesmo, símbolo da vida».

Manuel Fraijó, Avatares de la creencia in Dios, Trotta, 2016, pp.77-78 [tradução minha]

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