domingo, 2 de julho de 2017

Ética do voto

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Se nós, o eleitorado, formos maus em política, se alimentarmos fantasias e ilusões, ou se ignorarmos dados, há pessoas que morrem. Travamos guerras desnecessárias. Aprovamos leis que perpetuam a pobreza. Regulamos demasiado as drogas ou regulamos menos do que deveríamos a produção de carbono. Mas o problema é o eleitorado como um todo não fazer escolhas sobre estar informado ou ser racional em relação à política. Os indivíduos decidem por si próprios à luz dos seus incentivos individuais (...) Saber as respostas às questões fáceis não é suficiente para estar bem informado sobre política. Para estarem bem informados, os cidadãos têm de conhecer também as plataformas políticas dos candidatos, como irão provavelmente votar no Congresso, que medidas é provável que apoiem, se é provável estes votos interessarem ou não, e que influência é de esperar que tenham se ganharem. Todavia, mesmo isto não é suficiente. Para saber em quem votar, uma pessoa precisa de saber mais que aquilo que os candidatos representam, o que fizeram no passado ou tencionam fazer no futuro. Um votante bem informado precisa de conseguir compreender se as políticas preferenciais do candidato tendem a promover ou impedir os resultados que o votante apoia. Assim, por exemplo, suponha que sei que os candidatos Smith e Colbert querem ambos melhorar a economia, mas Smith apoia o comércio livre e Colbert o proteccionismo. Não consigo fazer uma escolha razoável entre eles a menos que saiba se é o comércio livre ou o proteccionismo que tem mais probabilidade de melhorar a economia; para tal, tenho de ter conhecimentos sobre economia (...) Obter informação tem um custo. Exige tempo e esforço - tempo e esforço que podiam ser despendidos a promover outros objectivos. Quando os custos esperados para adquirir informação de um certo tipo excedem os benefícios esperados de possuir esse tipo de informação, as pessoas normalmente não se incomodam a obter a informação. Os economistas designam este fenómeno ignorância racional. (...) Se a ignorância política não tivesse efeito sobre as nossas preferências políticas, se as pessoas bem e mal informadas tivessem as mesmas opiniões políticas, a ignorância e má informação não importariam. Mas a informação importa. As medidas políticas que as pessoas defendem dependem do que sabem.

Jason Brennan, Contra a democracia, Gradiva, 2017, pp.42, 43, 48, 51, 54 e 55.

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