sábado, 15 de julho de 2017

ESPIRITUALIDADE


Gostei muito daquele livrinho de Paul Tillich intitulado A dimensão perdida, que continua a ter actualidade. Nele, identificava a espiritualidade com a profundidade. Falando da espiritualidade perdida, quis dizer várias coisas. Em primeiro lugar, para começar pelo positivo, estou convencido de que nenhuma pessoa pode viver sem espiritualidade. A espiritualidade está em todas as pessoas, em todos os povos - todos os povos têm a sua história espiritual, feita da forma como vivem e morrem, feita das suas filosofias e teologias, da sua literatura, da sua ciência, da sua arte, etc. Ninguém pode viver sem espiritualidade. Em algum sentido, também a filosofia é espiritualidade. O filósofo, como o teólogo, inclina-se, sem cessar, sobre o mistério da vida e da morte. É, segundo Ortega, o que Dilthey sempre disse. Evocando o quão importante que o mistério é, escreve G.Scholem no seu livro Há um mistério no mundo: "Se alguma vez desaparecesse da humanidade o sentimento de que o mundo esconde um mistério, tudo estaria acabado. Não creio, em qualquer caso, que cheguemos tão longe".

Manuel Fraijó, Avatares de la creencia in Dios, Trotta, 2016, p.66 [tradução minha]

Sem comentários:

Enviar um comentário