terça-feira, 11 de julho de 2017

Epistocracia (IV)


Uma das formas de sufrágio epistocrático restrito requer que os votantes potenciais passem num exame de qualificação. Este exame podia ser aberto a todos os cidadãos independentemente dos seus enquadramentos demográficos. O exame filtraria os cidadãos fortemente desinformados ou ignorantes relativamente à eleição, ou que carecessem de conhecimento sociológico básico. Os Estados Unidos, por exemplo, podiam requerer que os cidadãos passassem no exame de cidadania, ou tivessem uma classificação de três ou mais nos exames de Advanced Placement de Economia e de Ciência Política. Em alternativa, o teste podia ser inteiramente não ideológico. Podíamos simplesmente requerer que os potenciais votantes resolvessem alguns problemas lógicos e matemáticos, ou fossem capazes de identificar 60 por cento dos países do mundo num mapa. Neste caso, o exame não testaria directamente o conhecimento mas coisas que pudessem estar positivamente correlacionadas com conhecimento político. 
É provável que seja impossível conceber um exame que testasse precisamente o conhecimento necessário para qualquer eleição específica. Afinal o que está em causa, e portanto que conhecimento é necessário, varia de eleição para eleição. Além disso, o que conta como conhecimento relevante é razoavelmente discutido. Isto não se destina a negar que haja uma verdade sobre a qual o conhecimento é relevante (...) É possível que um exame eficaz de qualificação de votantes exija testar conhecimento sociológico básico, como matérias de Introdução à Microeconomia e Introdução à Ciência Política. Para encorajar (...) a tornar-se bons votantes, os governos poderiam oferecer incentivos aos cidadãos que conseguissem passar no exame e obter direito de voto. Por exemplo, o governo poderia oferecer um prémio: qualquer pessoa que se qualificasse para votar obtinha um crédito de imposto de mil dólares. (...) Num regime de voto plural (...) um cidadão poderia obter mais votos por desenvolver certas acções, passar em certos exames ou mostrar competência e conhecimentos de outra forma (...) Podíamos dar a todos os cidadãos um voto aos dezasseis anos, atribuindo mais dez votos aos cidadãos se passassem no exame de qualificação de votante.

Jason Brennan, Contra a democracia, Gradiva, 2017, pp.295-297

Sem comentários:

Enviar um comentário