terça-feira, 11 de julho de 2017

Epistocracia (III)


Christiano propõe que instanciemos uma espécie de ponto intermédio entre a democracia comum e a epistocracia. Começa por notar que é irrealista esperar que os votantes tenham conhecimento sociológico suficiente para fazer boas escolhas nas votações:

É difícil ver como os cidadãos podem satisfazer mesmo padrões moderados para convicções sobre como atingir melhor os objectivos políticos. O conhecimento dos meios requer uma quantidade imensa de sociologia e conhecimento de factos específicos. Em geral, seria preciso abandonar a divisão do trabalho na sociedade para os cidadãos terem este tipo de conhecimento.

Christiano acha que o cidadão comum é competente para deliberar e escolher os objectivos apropriados para o governo. Contudo, para os cidadãos conhecerem os melhores meios para atingir esses objectivos terem de se tornar especialistas em sociologia, economia e politologia; não são por princípio competentes para fazer essas determinações. A solução proposta por Christiano é criar uma divisão do trabalho político: «Os cidadãos são encarregados de escolher os objectivos que a sociedade deve procurar atingir, enquanto os legisladores são encarregados da tarefa de criar e pôr em prática os meios para alcançar esses objectivos através da produção de legislação»

Jason Brennan, Contra a democracia, Gradiva, 2017, pp.291-292

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