quarta-feira, 12 de julho de 2017

Democracia deliberativa


A democracia deliberativa diz respeito a várias formas de democracia em que as pessoas se juntam para propor ideias, debatem essas ideias, analisam os prós e os contras, ouvem-se umas às outras e criticam as ideias umas das outras com a mente aberta. A maior parte dos democratas deliberativos defende um ideal em que os cidadãos debatem uns com os outros de forma desapaixonada, científica e, em resultado disso, chegam a um consenso sobre o que deve ser feito. Os democratas deliberativos achavam que a democracia devia ser inclusiva - abrangendo uma gama de pessoas de todas as raças, identidades de género, religiões, estatuto socioeconómico, e por aí fora (...) Assim, por exemplo, Habermas afirma que os deliberantes devem observar as seguintes regras:

*Os intervenientes devem ser coerentes; não devem contradizer-se a si próprios.
*Os intervenientes devem tratar casos iguais de igual forma.
*Os intervenientes devem utilizar termos e linguagem de forma coerente de modo a ter a certeza de que todos se referem às mesmas coisas (não deve haver equívocos nem mudanças de definição de modos que interfiram com a comunicação).
*Os intervenientes devem ser sinceros e afirmar apenas aquilo que realmente pensam.
*Os intervenientes devem apresentar razões para introduzir assuntos ou tópicos no debate.
*Deve ser permitido participar no debate a todo aquele que é competente para falar.
*Aos intervenientes deve ser permitido debater qualquer tópico, afirmar o que quiser e expressar quaisquer necessidades - desde que sejam sinceros.
*Ninguém pode coagir ou manipular outro interveniente.

Jason Brennan, Contra a democracia, Gradiva, 2017, pp.89-90

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