quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"Murar o medo" - Mia Couto (III)


Mencionarei ainda outra silenciada violência: em todo o mundo, uma em cada três mulheres foi ou será vítima de violência física ou sexual durante o seu tempo de vida. Não há aqui nenhum laivo de feminismo, nenhum paternalismo dos que dizem cuidar dos chamados grupos vulneráveis. A verdade é que sobre metade das pessoas que estão nesta sala pesa uma condenação antecipada pelo simples facto de serem mulheres.

A nossa indignação, porém, é bem menor que o medo. Sem darmos conta, fomos convertidos em soldados de um exército sem nome, e como militares sem farda deixamos de questionar. Deixamos de fazer perguntas e de discutir razões. As questões de ética são esquecidas porque está provada a barbaridade dos outros. E porque estamos em guerra, não temos que fazer prova de coerência nem de legalidade.

É sintomático que a única construção humana que pode ser vista do espaço seja uma muralha. A chamada Grande Muralha foi erguida para proteger a China das guerras e das invasões. A Muralha não evitou conflitos nem parou os invasores. Possivelmente, morreram mais chineses construindo a Muralha do que vítimas das invasões do Norte. Diz-se que alguns dos trabalhadores que morreram foram emparedados na sua própria construção. Esses corpos convertidos em muro e pedra são uma metáfora de quanto o medo nos pode aprisionar.

Há muros que separam nações, há muros que dividem pobres e ricos. Mas não há hoje muro que separe os que têm medo dos que não têm medo. Sob as mesmas nuvens cinzentas aprendemos a reduzir os sonhos e esperanças para um tamanho aceitável. Acerca dessa histeria colectiva, Eduardo Galeano escreveu o seguinte:

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho. Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho. Quem não têm medo da fome, têm medo da comida. Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas, as armas têm medo da falta de guerras.

E, se calhar, acrescento agora eu, há quem tenha medo que o medo acabe.

"Murar o medo" - Mia Couto (II)


Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas. A manutenção desse alvoroço requer um dispendioso aparato e um batalhão de especialistas que, em segredo, tomam decisões em nosso nome. Eis o que nos dizem: para superarmos as ameaças domésticas precisamos de mais polícia, mais prisões, mais segurança privada e menos privacidade. Para enfrentar as ameaças globais precisamos de mais exércitos, mais serviços secretos e a suspensão temporária da nossa cidadania. Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho começaria pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e do outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.

Aos adversários políticos e militares, juntam-se agora o clima, a demografia e as epidemias. O sentimento que se criou é o seguinte: a realidade é perigosa, a natureza é traiçoeira e a humanidade é imprevisível. Vivemos – como cidadãos e como espécie – em permanente limiar de emergência. Como em qualquer estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade deve ser suspensa.

Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas incómodas como estas: porque motivo a crise financeira não atingiu a indústria de armamento? Porque motivo se gastou, apenas o ano passado, um trilião e meio de dólares com armamento militar? Porque razão os que hoje tentam proteger os civis na Líbia são exatamente os que mais armas venderam ao regime do coronel Kadaffi? Porque motivo se realizam mais seminários sobre segurança do que sobre justiça?

Se queremos resolver (e não apenas discutir) a segurança mundial – teremos que enfrentar ameaças bem reais e urgentes. Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que sejam precisos pretextos de guerra. Essa arma chama-se fome. Em pleno século 21, um em cada seis seres humanos passa fome. O custo para superar a fome mundial seria uma fracção pequena do que se gasta em armamento. A fome será, sem dúvida, a maior causa de insegurança do nosso tempo. Num planeta que imaginamos como uma única aldeia, a realidade mais globalizada é a miséria.

 

"Murar o medo" - Mia Couto (I)


MIA COUTO, 6 de Maio de 2011, “MURAR O MEDO”, Conferências do Estoril sobre Desafios Globais, Respostas Locais, Centro de Congressos do Estoril.

O medo foi um dos meus primeiros mestres. Antes de ganhar confiança em celestiais criaturas, aprendi a temer monstros, fantasmas e demónios. Os anjos, quando chegaram, já era para me guardarem, servindo como agentes da segurança privada das almas. Nem sempre os que me protegiam sabiam da diferença entre sentimento e realidade. Isso acontecia, por exemplo, quando me ensinavam a recear os desconhecidos. Na realidade, a maior parte da violência contra as crianças sempre foi praticada não por estranhos, mas por parentes e conhecidos. Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambientes que reconhecemos. Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território.

O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura, algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.

No Moçambique colonial em que nasci e cresci, a narrativa do medo tinha um invejável casting internacional: os chineses que comiam crianças, os chamados terroristas que lutavam pela independência do país, e um ateu barbudo com um nome alemão. Esses fantasmas tiveram o fim de todos os fantasmas: morreram quando morreu o medo. Os chineses abriram restaurantes junto à nossa porta, os ditos terroristas são governantes respeitáveis e Karl Marx, o ateu barbudo, é um simpático avô que não deixou descendência.

O preço dessa narrativa de terror foi, no entanto, trágico para o continente africano. Em nome da luta contra o comunismo cometeram-se as mais indizíveis barbaridades. Em nome da segurança mundial foram colocados e conservados no Poder alguns dos ditadores mais sanguinários de que há memória. A mais grave herança dessa longa intervenção externa é a facilidade com que as elites africanas continuam a culpar os outros pelos seus próprios fracassos.

A Guerra-Fria esfriou mas o maniqueísmo que a sustinha não desarmou, inventando rapidamente outras geografias do medo, a Oriente e a Ocidente. Para responder às novas entidades demoníacas não bastam os seculares meios de governação. Precisamos de investimento divino, precisamos de intervenção de poderes que estão para além da força humana. O que era ideologia passou a ser crença, o que era política tornou-se religião, o que era religião passou a ser estratégia de poder.

 

Constança, a esquecida - da dor à generosidade


Falta nos jornais locais crítica, pôr a luz em lugares menos óbvios, mostrar em vez de apenas registar: acontecimentos, eventos, conferências, concertos, peças, filmes. Falta ao teatro, ao café-concerto, conversa depois de algumas sessões. Debater para lá do gostei ou não gostei. Alguns apontamentos, há meses, na rádio, a propósito de Pedro e Inês, para mostrar a face escondida da lua. Com Portugal como pano de fundo.


Eu sei que parece demasiado óbvio pegar, por estes dias, no Unamuno que falava em “povo de suicidas”. E nesse livro homónimo, colectânea de textos, opiniões, ensaios do intelectual da geração (espanhola) de 98, para dizer hoje Portugal.
Porém, pego na obra como antecâmara do Pedro e Inês que regressam ao teatro dentro de duas semanas. E, para, a partir dele, falar em Constança, de Eugénio de Castro. Miguel de Unamuno considera Constança uma obra profundamente portuguesa, “harpa eólica do seu povo”, “vibrando ao sopro da alma deste”.
Recorde-se que Constança foi a esposa do infante D. Pedro. E que teve Inês como a mais íntima das amigas. Amou Pedro tanto ou mais do que Inês. Mas a história como que esqueceu o seu drama.
Se os livros de História – por Camões – a ignoram, os caminhos da literatura – por Eugénio de Castro – a fazem figura emblemática: ali, onde, no dizer de Unamuno, “o poema atinge a mais alta e mais pura poesia”, quando Constança invoca e pede auxílio à dor.
O culto da dor parece ser um dos sentimentos mais característicos deste melancólico e saudoso Portugal, assinala.

Quero-te muito, ò Dor, amo-te imenso

Ficamos na tragédia da amada, no amor impossível, e como que se nos passa ao lado o caminho tortuoso e torturado da esposa legítima, a quem Pedro dá último beijo e que, num lampejo, vê Inês, amizade de sempre, e lhe devolve a carícia – com “a beleza indizível de um pôr-do-sol outonal”, segundo Unamuno:

Anda cá, minha Inês…diz co’um sorriso
De infinita doçura; nos seus braços
Acolhe a linda Inês, abraça-a muito,
Dá-lhe o beijo de Pedro, e logo exala,
Serenamente, o último suspiro

Quantas tragédias ficaram por contar, quantas personagens iluminámos para deixar outras obscurecidas e degradadas ao mais duro silêncio, que narrativas escolhemos e porque deixámos outras?
Neste caso concreto, talvez tenhamos querido colocar na penumbra o Portugal resignado, embrenhado na dor, na deusa dor, que é tragédia tanto quanto parece destino feito para não ser contrariado.

Quando, nestes primeiros meses de 2011, se discute, como sucede na televisão ou em muitos outros espaços, se a canção é uma arma – como ainda esta semana, em Lisboa, no Chiado -, se a canção de intervenção está, pois, de regresso, recordei, antes, o último álbum de Rui Veloso quando, pela pena de Carlos Tê, emerge uma personagem que é, precisamente, este espelho do quando a tristeza bate/pior do que eu não há/ fico abaixo do tapete/como se chegasse ao fim e pensei como se liga (bem) à Constança que cultiva a dor.

Quando decidi ir ver Pedro e Inês ao Teatro Municipal, lembrei-me de Constança. A própria, carne e osso, a pessoa concreta. Depois, passei à Constança-Portugal, mas quis crer que ao lado dela muitos outros Portugal se manifestam: os que, por exemplo, foram à rua e se preparam para apresentar propostas de alterações legislativas para procurar mudar a sua situação de precaridade.
Que o façam, contudo, bem o desejo, com a mundividência presente nesta Constança que no último sopro quer o melhor para Inês, a quem vê como amiga; quer dizer, do ponto de vista operativo, que as lutas de hoje sejam justas, também, intergeracionalmente e com os que virão amanhã.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Presenças reais

Jordi Savall, líder do Hespèrion XXI, compositor e maestro, diz que «a música e a cultura» são as portas que ainda podem promover o diálogo entre povos. «Todas as outras — políticas, sociais, violentas — foram um fracasso». Pensa que há o «grande perigo» de escutar «apenas a parte estética da música». «Quando isso sucede, termina-se em Auschwitz», afirma


a partir da Pedra Angular

Distopias

Quando Aldous Huxley publicou o seu Brave New World, tendo meditado a experiência das guerras, pareceu ter em vista uma sátira do mundo que pressentia, em que os homens seriam produzidos em linhas de montagem segundo necessidades programadas, mas não meditou na submissão a que os povos seriam constrangidos por técnicas menos laboratoriais, mas igualmente eficazes, na produção de efeitos colaterais à margem dos grandes princípios. Foi mais pessimista, como notou Deutscher, o festejado Orwell no aniversário do seu 1984, ao antever uma sociedade, além de totalitária, mergulhada na miséria, a que a ONU chamaria fronteira da pobreza, amenizando o que Josué de Castro chamou a Geografia da Fome. Todos, e os que os acompanharam, foram considerados, pelos príncipes que entretanto governaram, como exagerados ou mesmo absolutamente longe da realidade. Mas se essa atitude deu oportunidade à displicência, o regresso à sua leitura pode ajudar agora a enfrentar a supercomplexidade da circunstância a que finalmente fomos conduzidos, em nome do saber, e do saber fazer.

Adriano Moreira, DN, 29/11/11

O ensino do Português - Maria do Carmo Vieira

Na semana em que saiu o primeiro ensaio da FFMS, a cargo de Maria do Carmo Vieira, escrevi este texto que toca em questões a meu ver muito importantes quanto ao corpo de conhecimentos que queremos legar às gerações vindouras e preservar enquanto comunidade.


Realizaram-se na semana que passou os exames nacionais de Português dos 9º e 12º anos de escolaridade. Talvez alguns dos ouvintes deste programa [reparo do dia] tenham filhos, familiares ou amigos que realizaram uma destas provas, talvez outros, por curiosidade, tenham procurado o teste para o descodificar. Porventura, os que observaram o enunciado do 9º ano detiveram-se no canto IX d’Os Lusíadas, na lha dos Amores, e nas olímpicas guerras entre Baco e Vénus, ou no amoroso apego lusitano de Marte.
Se os exames servem de avaliação a cada aluno – e, ainda que num sentido mais restrito, de professores e escolas -, são, igualmente, momento de pontuar o estado global do nosso ensino, e o estádio de cada disciplina, em particular. Quando gerações se sentam à mesma mesa, debruçados sobre uma nova prova, é a sociedade que construímos – o modo de transmissão de conhecimentos, e que conhecimentos transmitimos, um saber indispensável para a nossa preservação (comunitária) – que medimos também.
Quis o destino que nesta semana, Maria do Carmo Vieira, licenciada em Filologia Românica, professora do ensino Secundário, mestre em literatura de viagens, publicasse o seu diagnóstico acerca do Ensino do Português, no nosso país, naquela que é a primeira obra com a chancela da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
O que esta autora nos diz, muito na linha, é certo, daquela que vem sendo a crítica do que se convencionou designar por eduques – mas, desta feita, com mais informação, novos dados, o assinalar de casos concretos, o precisar soluções, e o deixar de lado uma carga mais ideológica – é, de facto, deveras preocupante: a reforma de 2003/2004, que surge na sequência da detecção de grandes e graves lacunas na escrita, na leitura, na compreensão dos textos pelos alunos, procurou promover a pedagogia em detrimento da preparação científica – do seu aprofundamento – dos professores; visou trazer para a sala de aula o dito mundo real, com observação e comentário a programas como Morangos com Açúcar ou Big Brother, estudando-se, imagine-se, o regulamento deste último programa porque, nas palavras de um director de uma escola citado por Maria do Carmo Vieira, conhecendo-o, os alunos conseguirão, por consequência, p.ex., apreender as regras da Constituição (CRP); retirou-se muita da carga literária dos programas: Gil Vicente é autor que saiu do programa do 10º ano (de escolaridade), Os Lusíadas são pouco aprofundados no terceiro ciclo do ensino básico; falta coesão, consistência, coerência aos programas, porque, para se (bem) compreender, p.ex., a lírica camoniana, necessário seria fazê-la preceder das cantigas de amigo – que lhe dão lastro – enquanto Gil Vicente e o Auto da Índia seriam fundamentais para problematizar a abordagem desta – da Índia – comparada com aquela que é produzida n’ Os Lusíadas (além de Gil Vicente ser personagem decisivo na compreensão da passagem do homem medieval ao homem renascentista). Eis a parte mais propositiva da exposição da nossa autora, detida, no capítulo III da obra – breve, mas reveladora – sobre o ensino do Português no Secundário.
Voltando ao referido mundo real, o da programação das telenovelas, das notícias do jornal, da redacção de uma carta ou denúncia, nota para que a exposição desta última hipótese – a redacção de uma denúncia – pode vir, lado a lado, em um manual de português, e com o mesmo sentido e valor, p.ex., que o protesto expresso nas Conferências do Casinodenúncia e protesto, estão a ver, não estão? – levando, de tal sorte, a Língua Portuguesa para um carácter puramente prático, pragmático, utilitário e, bem vistas as coisas, absurdo.
É, ainda, no capítulo III, e após, simultaneamente, ter salientado a importância da gramática – no concreto, esquecida/negligenciada, da memorização e no estímulo do rigor e disciplina – e descrito, com horror, o caos que resultou da introdução da nova terminologia linguística, a TLEBS; já depois de evidenciar a fraude em que se transformaram as Novas Oportunidades e com muitos dos problemas sublinhados como a retirada dos clássicos, o apagamento da História ou mesmo a quase eliminação da Filosofia – que são, mais do exclusivamente nacionais, problemas europeus -, Maria do Carmo Vieira vai ao detalhe do programa do 12º ano de onde a Aparição, de Virgílio Ferreira, deixou de ser opção possível. É aqui que o ensaio mais me toca.
Porque esse ponto convoca a memória da introdução pessoal na filosofia existencialista – precisamente, num trabalho para Português, no 12º ano – e nas primeiras leituras no início da faculdade, do Sísifo, de Camus, ao Húmus, de Raúl Brandão, passando pelas mui existenciais reflexões do Livro do Desassossego, de Pessoa.
Regista a autora que esse afastamento se deu porque muitos responsáveis ministeriais consideravam a obra – Aparição -, e cito, “demasiado filosófica” para adolescentes meninges – a questão da morte, o sentido da existência, a responsabilidade de cada um, a condição humana.
Fica-se sem saber o que dizer, por entre o espanto – então não é que desaparece a contextualização histórica que precedia o conhecimento de cada obra e autor, como se fosse possível perceber Os Lusíadas sem conhecer a história de Portugal, e daqui ao pe. António Vieira, a Pessoa ou a Agostinho da Silva; bem sei que há a disciplina de História, mas não chega, e muito menos é história da literatura, quer dizer, como, com felicidade, explica a autora, Cesário Verde é o nosso primeiro autor a dar-nos a paisagem física e humana, seus retratos e cores, da grande cidade, precursor do modernismo de Pessoa – e a incredulidade.
Talvez que se o discurso anti-eduquês surge, a alguns, eivado de certo snobismo ou arrogância – e eu seria o último defensor do antigamente é que era bom, ou no meu tempo é que estava tudo bem, até por ser demasiado novo para tal discurso -, bem pior, no entanto, é a menorização dos alunos, o seu apoucamento, a pedagogia de coitadinhos ínsita em intervenções e programas como aqueles vindos de descrever. Não há politicamente correcto, nem recusa de soberba que nos impeça de olhar o essencial: a muito provável (maior) degenerescência de um sistema de ensino, e do Português em especial. Na última quinta-feira, em quatro inquéritos rápidos e aleatórios recolhidos pelo jornal Público, após a realização do exame de Português do 12º ano, quando confrontados com a dificuldade da prova, dois de quatro alunos ouvidos, disseram não ter respondido a uma questão, porque a pergunta continha a palavra ‘interpelação’, palavra cujo significado desconheciam.