segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Tio Sam


Muitas vezes, acabamos por utilizar expressões sem conhecer a história das mesmas, ou o porquê de uma dada designação. Aconteceu-me com o Tio Sam e só há dias me apercebi, quando um miúdo me perguntou pelo significado da expressão. Uma pesquisa pela net:











Civilização


Nas palavras de um grande contemporâneo de Aron, «o termo civilização designa simultaneamente o processo de converter um homem num cidadão, e não um escravo; um habitante de cidades, e não um rústico; um amante da paz, e não da guerra; um ser polido, e não um rufia»; trata-se do «cultivo consciente da humanidade, quer dizer, o que faz de um ser humano um ser humano». Civilização é essencialmente o «cultivo consciente da razão». Portanto, «os pilares gémeos da civilização são a razão teorética e prática, ou a «ciência» e a «moral» [Leo Strauss].

Miguel Morgado, O conservadorismo do futuro e outros ensaios, 2017, pp.237-238

Estado Administrativo


Em primeiro lugar, não foi Montesquieu quem inventou a separação de poderes. A discussão precedeu Do Espírito das Leis, uns bons cem anos, sobretudo em Inglaterra. (...) A ascensão do administrativo ilustra bem os problemas com que a doutrina da separação de poderes acabaria por se defrontar. (...) A filosofia política tarda em enquadrar de modo coerente e sistemático esta tremenda inovação nos últimos 150 anos. Foi a solução política e institucional que emergiu para dar conta da assunção cada vez maior de tarefas pelo Estado. Encarregou-se o Estado de fazer mais coisas, muito mais coisas, do que era o caso no final do séc.XVIII. E essas inúmeras tarefas novas não podiam ser levadas a cabo dependendo apenas dos três poderes do cânone. [e para além do Estado Administrativo, surgiria o Estado Regulador]

Miguel Morgado, O conservadorismo do futuro e outros ensaios, 2017, pp. 228-233

Aprender com os erros


Quando a crise financeira de 2008 estoirou, a Fed, liderada por Ben Bernanke, tomou acções extraordinárias. Cortou as taxas de juro para zero e "imprimiu dinheiro" em larga escala - não literalmente, mas comprando biliões de dólares de obrigações.
Muitos conservadores ficaram irritados. Comentadores televisivos hiperventilaram sobre inflação e vozes, aparentemente respeitáveis, denunciaram as acções da Fed. Em 2010, um "Who's who" de economistas conservadores publicou uma carta aberta a avisar que as políticas da Fed causariam inflação e "rebaixaram o dólar". Mas nunca aconteceu. (...) Quatro anos após aquela carta aberta a Bernanke, a Bloomberg abordou muitos dos signatários e perguntou-lhes o que haviam aprendido. Nenhum deles - nem um - admitiu sequer que se tinham enganado. O que acontece aos economistas que nunca admitem erros e não mudam as suas opiniões à luz da experiência? A resposta, aparentemente, é que entram na lista de finalistas para ser o próximo presidente da Fed.

Paul Krugman, A doutrina da infalibilidade Trumpal, Visão, 16 de Novembro 2017, p.34

domingo, 19 de novembro de 2017

Responsabilidade parental


Tomo nota que um conjunto de quadros - sociólogos, juristas, psicólogos nacionais e estrangeiros - subscrevem, em Uma família parental, duas casas que a residência alternada (Sílabo, 2017), relativamente à guarda da criança, em casais que se separam, de acordo com uma acervo de estudos que mobilizam, seria/será o que mais convém aos infantes. E isto, porque, explica Sofia Marinho à Visão, as actuais decisões sobre estas matérias são "pouco informadas, assentes em estereótipos de género e das relações familiares", privando "as crianças de igual envolvimento da mãe e do pai no seu dia a dia. A residência alternada não está prevista na lei, mas os subscritores deste livro ora lançado, entendem que devia ser a regra. "Idealmente, a criança deve residir alternadamente com a mãe e com o pai entre 33 e 50% do tempo durante o mês, para beneficiar do envolvimento pleno de ambos em todos os domínios da sua vida. (...) Os resultados de estudos internacionais representativos mostram que (...): menores que viviam, desde cedo, em regime de residência alternada tinham melhores indicadores de bem-estar emocional do que as que cresciam com o modelo de residência única".
Se, não raramente, o senso comum, nestas matérias talvez nos indicasse o possível problema de regras duplas, de falta de coerência educativa, de um projecto que mesmo que partilhado em termos teóricos iria ter concretizações muito diversas em casas distintas, etc., o que este conjunto de interessados nestas matérias nos vêem dizer é que nem sempre o senso comum é bom senso, e/ou que os ganhos da inovação pretendida superarão os constrangimentos a ela potencialmente associados. 
Enquanto se espera que haja interlocutores qualificados neste domínio, fica, pois, esta tomada de posição que significaria uma considerável mudança na conformação das situações de responsabilidade parental a ela inerentes.

Exames nacionais: uma experiência comparada



No Brasil, ou na Grécia, o Ensino Superior não consegue absorver sequer 1/5 dos alunos que concluem o Secundário e querem ir para a universidade pelo que a pressão dos exames é tremenda; na Coreia do Sul, os exames nacionais são uma Instituição, a Administração Pública fecha e os alunos que se atrasam têm direito a escolta policial para o exame. Os aviões têm a sua frequência reduzida para não fazerem barulho para os alunos. 
Fazemos exames para que se consiga tirar pelo menos 10 em 20 valores. Mas podíamos exigir 12, 14 ou 7: depende do que queiramos que os alunos saibam. 
Na Finlândia, só há exames no final do Secundário e tem sido passado a ser administrado online: computadores ligados fisicamente por cabo ao servidor da escola ligado ao Ministério da Educação e os alunos recebem o enunciado, respondem, copy paste, processador de texto e enviam para o Ministério da Educação. Os exames não são mais os mesmos: por exemplo, os exames de ciências sociais, ou História, incluem vídeos, a Matemática há uma série de outras ferramentas disponíveis para os alunos. 
Em Singapura, no final do Secundário, os exames são produzidos por Cambridge e têm reconhecimento internacional desses exames/diplomas. Singapura indica os conteúdos, o que pretende examinar, mas são produzidos por Cambridge.
Nos últimos 250 anos, apenas a partir de aí, surgiram os exames de aferição. A Irlanda tem um sistema de exames de aferição muito interessante. O Canadá tem dos exames de aferição mais precoces no mundo: logo no final do jardim de infância. Provas voluntárias para ajudar os pais a decidir o melhor percurso para as crianças. Em Singapura, numa sociedade multicultural e multilingue, os alunos vão para turmas especiais, logo no 1º ano do ensino básico.
Em França não há numerus clausus para o ensino superior. Mas em Janeiro os alunos começam a inscrever-se e a serem distribuídos da melhor forma. Para Medicina e Informática, há sorteio. 
Na Holanda, existem 400 provas escritas e 200 on line para acomodar todas as vias possíveis.

sábado, 18 de novembro de 2017

Um polvo com 15 anos



1.A principal novidade de O polvo encarnado (Ideias de Ler, 2017), de Francisco J. Marques e Diogo Faria, passa por inserir e contextualizar os mais recentes acontecimentos obscuros no futebol português, numa teia de poderes que tem 15 anos ("pelo menos, nos últimos 15 anos", p.8). Isto é, deixamos, neste livro e nesta abordagem, de ter um plano muito apertado dos acontecimentos - dos quais estamos a ter uma sucessiva actualização, relativos a esquemas poluídos de bastidores do futebol português, dos últimos 4 anos - para passarmos a um plano muito mais amplo/global do que está em causa.

2.Considero que se trata de uma lente mais apurada para interpretar os factos: a) porque, e isto é o fundamental/mais importante, a meu ver, ela regista a verdade histórica (ignorar, ou passar uma esponja, pelo "vergonhoso campeonato de 2004-2005", só para dar um exemplo, era inaceitável); b) porque o concentrar exclusivo nos quatro anos do treta oferecia, com facilidade, a acusação de que se tratava de uma mera justificação para os campeonatos formalmente atribuídos ao clube da luz.

3.A origem genética desta captura dos órgãos decisores do futebol português fica, indissociavelmente, ligada a uma afirmação de Filipe Vieira de que o importante era ter gente na Liga [hoje, em grande medida, FPF, dada a transferência de órgãos de tutela da arbitragem, disciplina, justiça para aquela sede]. Essa frase célebre é, não raro, trazida à colação no debate público, mas contraditada por representantes encarnados que chegam a negar a sua existência. O polvo encarnado cita [p.14], quem mais, A Bola, de 2 de Junho de 2003, p.3, que reproduz - imagina-se  que com fidelidade estrita - o grande líder: "O Benfica tem prioridades definidas e uma das mais prementes, devido à sua dimensão, era voltar a ter presença nos órgãos sociais e de decisão do futebol português, concretamente a Liga".

4.De resto, este documento do diretor de informação e comunicação do FCP e de um outro membro deste departamento, revela-se, sobretudo, como uma sistematização da quantidade de casos estranhos - em prejuízo, direto e indirecto do FCP - do futebol português, na última década e meia, oferecendo-se, em realidade, como uma interpretação - que, estou certo, recolheria consenso entre a nação azul e branca - do que foram os últimos 15 anos do futebol português. Assim, e como, aliás, Francisco J.Marques não deixou de advertir, ninguém vá ao engano, procurando notícias (propriamente) bombásticas no livro.
O livro recorda o Estorilgate [Carlos Xavier, à Sábado de 4 de Dezembro de 2015: "No Estoril, quando fui adjunto de Litos, passei por uma situação incrível. O presidente deixou que a equipa descesse para a segunda divisão a troco de ir jogar contra o Benfica ao Algarve apenas por causa da receita. Perdemos porque dentro de campo as coisas estavam todas feitas, ao ponto de mais tarde eu e o Litos termos sido ouvidos pela Polícia Judiciária sobre o caso o que se tinha passado. O jogo foi comprado, ou vendido, neste caso"]; a colocação de Cunha Leal no centro das operações e as decisões deste sempre enviesadas (como nesse ok ao Algarve, o caso Ricardo Rocha, inscrito irregularmente, ou os bilhetes não vendidos em 5% ao FCP, para a Luz, em 2004-2005, com a anuência do diretor-executivo da Liga); a participação de Cunha Leal no filme sobre Carolina Salgado realizado por João Botelho  [que, refira-se, disse já ter vergonha e estar arrependido de ter assinado semelhante fantochada, assumindo ter-se tratado de uma vingança, por situação ocorrida com o seu sogro, Carlos Pinhão]; a entrada em cena de Ricardo Costa; o gigantesco castigo aplicado a Hulk por parte do órgão liderado por Ricardo Costa (contraditado, em última instância jurídica-desportiva, com uma redução abismal da pena...depois de esta cumprida, sendo relembradas as recentes palavras de Jesualdo Ferreira a ABola de que sem aquele castigo o FCP teria sido "tetra campeão"); os sumaríssimos, entre a farsa e a tragédia, aplicados semanalmente a jogadores do FCP (nem um jogo, nem um joguinho aplicado a jogadores encarnados; McCarthy apanha 2 jogos em virtude de uma destas manigâncias, recorre e como resultado passa para três jogos de castigo...apanhando o terceiro jogo o FCP-clube da luz a realizar no Dragão: não fora o Conselho de Justiça e assim teria sido); o castigo aplicado a Lisandro Lopez por simulação de um penalti, castigo inédito e ainda irrepetido no futebol português; a utilização, por Ricardo Costa, de escutas em sede de processo disciplinar; a preterição de possibilidade de defesa a Pinto da Costa durante o dito processo; a dualidade de critérios disciplinares para com Maxi Pereira de vermelho ou de azul, as nomeações de Vítor Pereira, o controlo das classificações de Ferreira Nunes, as subidas e descidas de árbitros, uma comunicação social manipuladora...etc, etc, etc. [Marco Ferreira, relembrado (p.47), ao DN: "Eles têm medo que Vítor Pereira acabe com as suas carreiras como acabou com a minha. Sou um exemplo para eles daquilo que se pode passar. Eu era árbitro internacional e nunca na história de Portugal um árbitro internacional tinha descido à segunda categoria"]
Talvez pelo rocambolesco do tema, também pelo ineditismo do caso, vale a pena relembrar hoje, o apoio de Manuel Vilarinho a um partido político, em plena campanha eleitoral. A citação [p.165] é do Expresso: "Foi uma decisão, uma deliberação dos órgãos sociais do Benfica: apoiar esta candidatura, apoiar o PSD. Exatamente para ter influência nas eleições. Nós não somos feijão-frade. Não temos duas caras. Queremos que tenha influência". Na realidade, o Benfica não entregara ao Estado o valor do IRS que era descontado aos salários dos jogadores, ficando a dever cerca de 10 milhões de euros, mas o Governo - resultante das eleições em que Vilarinho queria influir - aceitou como garantia 20% das acções da SAD do clube, que nem sequer se encontravam cotadas em bolsa, avaliando-as unitariamente em 3,30 euros, um valor que foi considerado manifestamente exagerado. Para, por exemplo, assinar um contrato relacionado com a construção do estádio a aceitação da garantia revelou-se essencial.

5.Um ponto para mim curioso do livro prende-se com a avaliação estrita das arbitragens nas últimas épocas, comparando, nomeadamente, os prejuízos do FCP nos consulados de Julen Lopetegui e Nuno Espírito Santo
Aqui, vale a pena não ter a memória curta: com o FCP a fazer várias exibições de gala, com um excelente plantel, chegando aos 1/4 de final da Champions, onde chegou a vencer, na 1ª mão o Bayern, e com o clube da luz, em 6 jogos, a conseguir uma vitória, na mesma competição, eis que Lisboa, para esconder a sucessão obscena de jogos adulterados pela arbitragem, decide assestar baterias em Lopetegui - o treinador mais odiado do Porto, pelo menos no pós-Villas Boas. Adeptos do FCP vão na casca de banana e alimentam o discurso anti-Lopetegui. Embora a avaliação da SAD do FCP, e em particular do seu experimentado Presidente, fosse inequívoca - Lopetegui continuou para a época seguinte mesmo sem que o FCP formalmente tenha ganho qualquer competição - a verdade é que a quando da saída deste treinador a própria estrutura do FCP o veio cumular de defeitos. 
Pois bem, o que dizem agora o Diretor de Informação e Comunicação do FCP e outro membro deste departamento? Com base no critério - certamente, discutível, como outros - da opinião dos ex-árbitros que compõem o painel do jornal OJOGO, e atendendo a penalties por marcar ou mal assinalados (além de golos mal validados ou invalidados), a conclusão é a de que (convertidos os penalties em causa) a equipa de Lopetegui "poderia ter sido campeã com 15 pontos de vantagem" (p.40). Mais: "por muito que custe reconhecê-lo aos arautos do regime, nessa época o FCPorto foi, de muito longe, a melhor equipa portuguesa" (p.40). À lenga-lenga e à lenda negra de que a equipa nada jogava, que era só posse, que se jogava para trás e para o lado, o diretor de informação e comunicação do FCP responde do modo concludente e contundente que acabámos de verificar. 
Então e por comparação com a época de NES? Não foi esta a pior época de sempre a nível de arbitragem, tudo somado, para o FCP? Não, não foi. A pior, como sempre aqui se disse - e como causa próxima para grandes desaires financeiros foi a golpada determinante - foi a do tempo de Lopetegui. Cito, de novo, os autores de O polvo encarnado: "se (...) em 2014/2015 [época de Lopetegui] os Dragões foram muito penalizados e o Benfica muito beneficiado, desta vez os erros incidiram especialmente sobre a equipa portista, enquanto houve um certo equilíbrio entre prejuízos e benefícios à turma da Luz" (p.41).
Com um certo recuo vê-se melhor e neste aspecto também se fez justiça ao treinador basco.

6.Nenhuma novidade sobre o caso dos emails? Não será bem assim. Pelo menos, há duas pequenas histórias que eu não me dei conta de já terem sido contadas. Uma, relativa a Ferreira Nunes. O vice do Conselho de Arbitragem à época, e responsável pelas nomeações, decide interceder pelo clube da sua terra que ajudou a formar Éder, procurando que a esta colectividade fosse entregue o valor monetário relativo ao mecanismo de solidariedade, no âmbito da transferência do jogador do Swansea para o Lille. Ora, para acionar os mecanismos legais para tal efeito, o vice do Conselho de Arbitragem não está com meias medidas e contacta o assessor jurídico de um dos principais candidatos ao título (mas fosse qual fosse o clube e a sua escala). Nunes não viu nenhum conflito de interesses entre o cargo que ocupava e pedir um favor a Paulo Gonçalves (p.51). 
A segunda história tem que ver com o então presidente da AG da Liga, Carlos Deus Pereira. Em email enviado a Pedro Guerra, escreve (p.28): "Eu enquanto Presidente da AG e o Mário enquanto Presidente da Comissão Executiva [sic] espetámos uma faca, talvez facalhão numa das cabeças da hidra, o Joaquim Oliveira. O Pinto da Costa agora mais frágil vem por arrasto, porque o J.Oliveira está falido". [isto, reportando-se à Olivedesportos]

7.Aspecto controvertido, no livro, passa por tentar uma análise fina às tendências políticas (clubísticas) de cada diário desportivo (por muito que, aparentemente, estas se nos afigurem claras). Para lá da curiosidade da indicação de uma tese de mestrado, de 2016, sobre o assunto, os autores, no fundo, assumem saber, ao nível dos jornalistas independentes de cada jornal desportivo, a filiação clubista destes. Embora, é certo, isso muitas vezes seja absolutamente claro (Fernando GuerraJosé Manuel DelgadoNuno FarinhaJoão Bonzinho, etc.), será que é possível fazer esse exercício para a totalidade dos jornalistas que em ABolaOJogo e o Record têm uma coluna de opinião? [Ivo Miguel Costa Neves, dissertação à Universidade do Porto, é o autor da dita tese de mestrado]

8.Apesar da interpretação fundamental dos acontecimentos da última década, feita neste livro, recolher, creio, quase unanimidade entre os portistas, devo, no entanto, aqui, uma vez mais, referir que no que à factualidade do processo Apito Dourado diz respeito, circunscrever o caso às artimanhas e manigâncias jurídicas com vista a prejudicar o FCP - que as houve - é a meu ver extremamente redutor e essa omissão não poderia fazer parte de uma história completa deste período. Os autores, dadas as suas circunstâncias (nomeadamente, profissionais), não poderiam ir além da abordagem jurídica, mas esta não esgota aquele, como qualquer outro, caso. Houve comportamentos eticamente reprováveis e isso também não pode ser apagado da história (como receber um árbitro em casa).

9.O facto de para o caso Apito Dourado sobejarem jornalistas, dos mais variados órgãos comunicação social, para escreverem, como escreveram, livros sobre o tema e darem vazão a todo o tipo de catilinárias - alguns dos quais se refugiando agora na mais absoluta ortodoxia jurídica para pronunciarem nadas sobre o que se passa no caso dos emails - e O polvo encarnado ser da autoria de duas pessoas do departamento de informação e de comunicação do FCP é mais revelador do que são os jornais desportivos portugueses e do poder fáctico do clube da luz em Portugal do que mil teses de mestrado. 
[Chega a ser cómica a memória, passada para o livro, de, na mesma edição do jornal I, escreverem em páginas pouco intervaladas, António GalambaAntónio RolaRicardo Costa e Afonso de Melo]

10.Uma colectânea, um best-off do futebol português, um documento sem grandes pretensões mas para memória futura. Já menos a quente do que, naturalmente, quando casos sobre casos, no campeonato, sucediam e, simultaneamente ou quase, se conheciam os emails da vergonha. Mais madura e, por isso, mais afinada interpretação. Mas, claro: uma interpretação. Com óculos azuis. Interpretação com óculos azuis que mais ninguém pôde publicar, com excepção do Departamento de Informação e Comunicação do FCP.
Interpretação de longos dias de 15 anos, antecipados assim por José Veiga, na época 2004-2005: "Pela primeira vez, a CD da Liga está a funcionar como deve ser. O sr. Jorge Nuno [Pinto da Costa] ainda não percebeu que as coisas mudaram e que as pessoas não têm medo de tomar as decisões mais justas para o futebol nacional". Como concluem Francisco J. Marques e Diogo Faria, "quase dez anos antes de Adão Mendes anunciar que 'hoje o SLB manda mesmo e outros lá não mexem nada', já Veiga comunicava ao mundo que as coisas estavam diferentes" (pp.71-72)